Recessão do Brasil aumenta no 3º trimestre
A produção industrial do Brasil voltou a subir em novembro após forte queda no mês anterior, porém muito menos do que o esperado e sem dar indícios de reversão do quadro de fraqueza pelo qual passa a economia.
O IBGE informou nesta quinta-feira (5) que a produção industrial avançou 0,2% em novembro na comparação com o mês anterior, contra expectativa em pesquisa da Reuters de alta de 2%. Em outubro, a indústria havia recuado 1,2%.
Na comparação com o mesmo mês de 2015, a produção apresentou queda de 1,1% em novembro, 33ª taxa negativa consecutiva nesse tipo de comparação e frustrando a expectativa de avanço de 0,45%.
“Com isso, a indústria entra em 2017 com carregamento negativo, e vai ficando mais difícil o cenário de crescimento para o setor”, avaliou a economista-chefe da Rosenberg & Associados, Thais Marzola Zara.
Segundo ela, o dado deve levar a uma nova revisão por economistas dos números do PIB (Produto Interno Bruto) do quarto trimestre. “Já tínhamos recuo de 0,5%, e podemos revisar para baixo”, completou.
Entre as categorias pesquisadas, segundo o IBGE, a que apresentou queda em novembro foi a de bens de consumo semiduráveis e não duráveis, de 0,5% sobre o mês anterior, chegando ao quinto mês seguido de perdas.
Para Thais, essa foi a surpresa negativa no mês, após aumento das vendas de papel e papelão.
A categoria bens de capital, medida de investimento, apresentou alta de 2,5% em novembro em relação ao mês anterior, depois de mostrar contração por quatro meses seguidos e longe de reverter as perdas. A produção de bens de consumo duráveis avançou 4% na mesma base de comparação, ainda segundo o IBGE.
Dos 24 ramos pesquisados, 13 apresentaram alta na comparação mensal, com destaque para o aumento de 6,1% na produção de veículos automotores, reboques e carrocerias. Na outra ponta, coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis registrou recuo de 3,3% na mesma comparação.
O setor industrial enfrentou no ano passado a fraqueza da demanda interna diante do cenário de recessão e baixa confiança no Brasil.
O Índice de Gerentes de Compras (PMI, na sigla em inglês) mostrou que a atividade industrial do Brasil atingiu em dezembro o patamar mais fraco em seis meses, com a situação econômica afetando com força a entrada de novos negócios e a produção.
Na pesquisa Focus do Banco Central, os economistas projetam retração de 6,58% da produção industrial em 2016, contribuindo para a queda de 3,49% do PIB. Para este ano, a expectativa é de que a indústria apresente crescimento de apenas 0,88%, com a economia expandindo 0,50%.
Fonte: Força sindical
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