Mais da metade das pessoas (52,3%) que frequentaram cursos de qualificação profissional encontraram emprego na área de formação até 2014, segundo levantamento divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) na semana passada.
Além disso, 90,5% daqueles que realizaram esses estudos disseram ter aprendido algo útil para sua vida profissional ou pessoal, completa Marina Aguas, analista do IBGE e porta-voz da pesquisa.
Ao falar sobre a realidade atual, de alto desemprego num momento de crise econômica, entrevistados consultados pelo DCI defenderam a necessidade da qualificação profissional. Isso porque grande parte das vagas criadas, hoje, exigem que os candidatos tenham algum conhecimento específico.
“Vemos cursos de diversas áreas, como cabeleireiro, hotelaria e webdesign”, diz Marina. Ela ressalta que a qualificação profissional é a modalidade de ensino mais acessível para a população, por não exigir níveis mais elevados de escolaridade, como os módulos técnicos e tecnológicos.
De acordo com o levantamento do IBGE, 3,4 milhões de pessoas faziam aulas de qualificação profissional em 2014. A quantidade é pequena se comparada com os 40 milhões que desejavam fazer esses estudos naquele ano.
Marina também destaca que 9 milhões de pessoas realizaram esse tipo de curso entre 2011 e 2014, abaixo das 15,7 milhões em igual situação antes de 2010.
“Proporcionalmente, vemos uma quantidade maior no primeiro recorte, já que a comparação se dá entre um trecho de três anos e um período muito maior”, aponta. Um dos motivos para esse aumento seria o Pronatec, programa criado pelo governo Dilma Rousseff para estimular o ensino técnico profissional.
O professor de economia da Universidade Presbiteriana Mackenzie, Agostinho Pascalicchio comenta que grande parte dos diplomas obtidos com a qualificação serve como porta de entrada para postos no setor de serviços, maior ramo econômico no País.
“Essa é a área que mais absorve mão-de-obra no Brasil. Nela, é possível achar vagas de trabalho para quem tem menor escolaridade e para quem tem mais anos de estudo.”
Na opinião dele, existem cursos “excelentes e acessíveis” no mercado. “É o caso das matérias oferecidas pelo Sistema S [Senai, Sesc e Sesi]”.
Conjuntura
As estatísticas apresentadas pelo IBGE são válidas para as pessoas que iniciaram o curso de qualificação entre 2011 e 2014 e encontraram o posto de trabalho até este último ano.
Assim, a situação seria diferente se o levantamento fosse realizado em 2017, afirmou Pascalicchio. “A dificuldade para encontrar trabalho teria um impacto maior na análise.”
A última Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), também divulgada pelo IBGE, mostrou que a taxa de desemprego chegou a 12,6% no trimestre encerrado em janeiro deste ano.
Mais estudo
Outros dados do levantamento do IBGE dizem respeito aos cursos em nível técnico e tecnológico, que exigem maior escolaridade. Em 2014, a primeira modalidade era realizada por 9% dos alunos de ensino médio, especialmente aqueles da rede pública (55,1%).
Já sobre a segunda alternativa, destaque para a conclusão de que 68,8% daqueles que concluíram o ensino tiveram alguma oportunidade profissional no setor.
Também em 2014, dos 7,3 milhões de estudantes do ensino superior brasileiro, 477 mil (6,6%) estavam cursando a graduação tecnológica. A maioria dos alunos (78%) frequentava aulas na rede privada e no período noturno (77%).
Fonte: Força sindical
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