“As taxas bancárias têm de cair mais rápido”, afirmou, durante seminário “A Retomada do Crescimento”, promovido pela FGV, com o apoio do Valor, no Rio. “Também estamos trabalhando para que concessões subam mais rápido.”

Ele citou estudo publicado pelo BC no relatório de inflação, na semana passada, que mostra que o spread vem caindo junto com os cortes na taxa básica, em linha com que ocorreu com os ciclos de distensão monetária anteriores. Mas ponderou que, apesar do recuo, o custo é alto no Brasil. “O custo do crédito precisa convergir para algo mais parecido com o resto do mundo”, disse. Segundo ele, os juros bancários devem cair a um patamar mais baixo, da mesma forma que a inflação, a taxa básica e os depósitos compulsórios convergiram para níveis mais próximos dos padrões internacionais.

“Os problemas não nasceram ontem, são de décadas”, ponderou. “Mas não adianta adotar atalhos. O governo anterior tentou ver se puxava na marra através dos bancos públicos. Não deu certo.”

Para o presidente do BC, será necessário insistir na agenda de reformas, fortalecendo garantias, diminuindo o custo Brasil e assegurando maior competição no sistema financeiro. “Tivemos uma redução relevante nos juros do cartão de crédito no ano passado”, afirma, citando medidas que limitaram o uso das linhas rotativas nesse produto. “Estamos aguardando a autorregulação dos bancos para o custo do cheque especial.”

Segundo reportagem do Valor publicada ontem, o peso do spread bancário sobre a taxa de juros cobrada de clientes e famílias vem aumentando nos últimos anos. Procurada, a Federação Brasileira de Bancos (Febraban) informou que não comentaria o estudo sobre o peso crescente dos spreads citado na reportagem.

Sobre o projeto de autonomia do BC, Ilan disse que as perspectivas para a aprovação no Congresso são boas, apesar de 2018 ser um ano eleitoral. “Os projetos estão avançando, com um mandato muito claro para o BC, que é controlar a inflação”, afirmou. “Entre os 60 maiores bancos centrais do mundo, somos o único diferente, sem autonomia em lei”, disse.

Ilan voltou a alertar sobre os riscos das moedas virtuais, que ele chama de criptoativos. Segundo ele, os bancos centrais têm alertado que esses ativos podem dar a falsa impressão de ser moedas. O presidente do BC renovou a mensagem de política monetária, indicando a intenção de promover um novo corte de juros na reunião de maio e de fazer uma pausa no ciclo de distensão a partir de junho.

 

Fonte;Força sindical