Não importa se a empresa é estatal ou privada, a falta de coerência do empresariado do setor elétrico nas tratativas com o seu quadro de pessoal e com a população (o próprio cliente), é descomunal. Vamos citar aqui alguns exemplos que elucidarão esta afirmativa.
No grupo Eletrobras, para solucionar a sua deficiência de caixa, a empresa propõe a seus trabalhadores um reajuste de 4,64% nos salários e benefícios, o equivalente à metade da inflação no período, medida pelo IPCA. Tal imprudência despertou tanta indignação nos trabalhadores da Eletrobras que, mesmo com o Sindicato dando indicativo para a proposta ser rejeitada e a greve ser suspensa, os Eletricitários de Furnas rejeitaram a proposta, mas fizeram questão de permanecer com a greve de 48h, marcada para os dias 14 e 15 de junho.
Na CPFL, uma das mais importantes empresas de distribuição de energia no Estado de São Paulo, todos estão acompanhando as calamidades que assolam a população de algumas das áreas da sua concessão – como fortes chuvas e ventos que atingiram o interior de São Paulo nos últimos dias. Nesta quinta-feira (9), a empresa se reuniu com diversos sindicatos para discutir o acordo coletivo, propondo a redução abrupta no quadro pessoal, além de um reajuste de 6% em junho (valor abaixo da inflação de 9,32%) e com 1% para ser pago ano que vem. E não para por aí: a CPFL também sugeriu aumentar a rotatividade de seu quadro de funcionários, passando de 2,5% para 10%, diminuindo o know-how. Além disso, a empresa sugeriu a redução do quadro mínimo.
Temos que nos lembrar que, com qualquer chuva ou fenômeno meteorológico que atinja a região, o numero atual de equipes é insuficiente, deixando a população destes locais sem acesso à energia elétrica por horas, e, até mesmo, por dias.
Neste período, estamos em negociações com todas as empresas do setor elétrico. A maior parte delas sinaliza no sentido de precarizar a mão de obra em seu quadro próprio, e, consequentemente, o atendimento à sociedade.
Queremos chamar atenção da imprensa e da população que privatizar não é a solução, pois as empresas já privatizadas aumentaram os preços da energia e pioraram a qualidade de atendimento aos seus clientes. A terceirização também não é um paliativo e nem uma saída para o problema, pois as empresas já criaram subsidiárias dentro de suas holdings para burlar a legislação trabalhista: pagam menos para os trabalhadores que participam de um mesmo grupo econômico e até fazem acordos com empresas que lhe emprestam as suas razões sociais, com o mesmo intuito de burlar as leis trabalhistas.
O que precisa ser feito é a responsabilização de tais administradores de concessões públicas, que delapidam o patrimônio público, prejudicam o atendimento à população e precarizam as atividades próprias das empresas com um único objetivo: em crise ou em bonança, garantir o lucro dos acionistas – estes que ninguém conhece, mas que influenciam toda a política das empresas e do país.
Conclamamos a imprensa brasileira a acionar seus radares sobre o setor elétrico. Esta crise instalada hoje no país foi iniciada justamente pelo desequilíbrio do setor energético brasileiro. Ao que tudo indica, querem continuar na mesma lógica que tanto já prejudicou o Brasil e os brasileiros.
Fonte: Força sindical
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